O ‘EU PROFISSIONAL’ QUESTIONADO

O C-Lab subiu no dia 13 de Setembro ao Palco da Gulbenkian para a apresentação da 8ª edição das Tendências de Mudança do Consumidor em Portugal.

Com esta investigação surge a crença de que se inaugura um novo ciclo no que toca ao consumidor português. Ainda que a bricolage identitária se mantenha válida, diagnosticamos movimentos que extravasam o micro e passam a apontar para decisões de vida de outra magnitude.

A grande força de mudança que está a despoletar essas decisões de vida parece ser a insatisfação com o ‘eu profissional’, com empregos e ambientes de trabalho que não acompanharam a evolução rápida de outras esferas da vida, que não trouxeram novidade, ou pior, não são manipuláveis, trazem sensação de aprisionamento, inibem a expressão pessoal.

Esta investigação fala de pessoas que parece terem crescido mais do que as organizações.

Depois da apresentação das 7 tendências, a sessão foi animada por um painel de convidados que contribuíram para a reflexão que ali se teve: o Paulo Soeiro de Carvalho, Director de Economia e Inovação da Câmara Municipal de Lisboa, o Rudolf Gruner, Director Geral do Observador e o Joaquim Falcão de Lima, Director de Marketing Estratégico da Brisa.

As 7 tendências C 2017:

  • 2nd Places Idealizados
  • Casa 24×7: recriação de vida e de valor
  • Comércio de Emoções
  • Os Novos Pacotes, uma forma de curadoria
  • [RE]Focar
  • A Cultura dos Jogos
  • Futuros Imaginados: expectativa das marcas que o antecipam

MARCAS CIDADÃS: ANTECIPANDO AS EXPECTATIVAS DO CONSUMIDOR

No passado dia 26 de Maio, juntámo-nos para debater um tema que toca inevitavelmente as consciência de todos: a cidadania de marcas e, por inerência, dos seus decisores. Enquanto muitas empresas se esgotam em informação técnica sobre a sua actuação no campo da responsabilidade social, apresentado ao mercado longos relatórios que pouco dizem ao consumidor comum, outras produzem novas ofertas, referências e linguagens altamente disruptivas. Estes movimentos não desafiam apenas as concepções pré-existentes quanto ao modo de ser empresa e de fazer negócios, como são driver de novas consciências e, assim, indutores de novos comportamentos. De alguma forma, todos os consumidores procuram a sua ‘quota de sustentabilidade’, compatibilizando comportamentos eventualmente contraditórios no plano racional da Sustentabilidade mas que, vistos num processo de afirmação e construção identitária composta por uma infinidade de peças, resultam numa agregação que valoriza a (auto) narrativa. Os consumidores, principalmente os mais jovens, parecem reclamar para as marcas aquilo que chamam a si, assim como outras marcas que já nasceram neste novo quadro de valores: não hesitem em extremar a afirmação de posições e a escolha destemida de causas. Este foi o repto que deixámos neste dia 26 de Maio. Na comunidade C-Lab, ‘marcas-cidadãs’ são precisamente as que olham o seu poder social (e não o seu dever social) como driver de crescimento.São as que sabem ser possível aumentar a competitividade de uma empresa e, em simultâneo, promover o avanço das condições económicas e sociais nas comunidades em que actuam.

Expresso: “Espelho meu, espelho meu: será que toda a gente quer o mesmo que eu?”

Na edição de fecho do ano, o Jornal Expresso lançou um artigo dedicado às Tendências C 2016, dando especial destaque às «Novas Rotinas de Autoestima» e ao «Valor de Ser Português». “Todos os anos seguimos as tendências que o mundo nos impõe e nem damos por elas. Comecemos pelo individualismo, pelo domínio técnico e pelo autocontrolo. Tratam-se das «Novas Rotinas de Autoestima»,identificadas no último ano e que este ano voltam a ser analisadas. A sociedade está cada vez mais estetizada, e a tendência não se resume ao consumo. A estética está cada vez mais ligada ao nosso corpo. No último número do estudo “Tendências de Mudança do Consumidor”, lançado pelo The Consumer Intelligence Lab (C-Lab), torna-se perceptível que... estamos a caminhar para um tempo marcado pela ditadura do corpo. Depois de uma época em que as principais despesas pessoais estavam ligadas ao vestuário, à cosmética e ao cabeleireiro, chegou a vez de novos produtos tomarem a dianteira... estão em voga os consumos relacionados com a manutenção da boa forma física, com o combate ao envelhecimento e com a alimentação saudável... para se conseguir atingir ou manter uma boa aparência. 37% dos inquiridos sentem que hoje em dia dão mais atenção à aparência física, e 56% fazem-no porque é uma coisa que os faz sentir bem. As redes sociais vão continuar a desempenhar um papel central na construção deste «eu» em constante mudança, com especial enfoque para o tema da selfie, que apela a uma maior consciência da aparência individual e eleva a fasquia da imagem a projectar. Embora pareça, não é apenas o umbigo de cada um que importa, e a consicência do valor de ser português também se está a alterar. Hoje, e depois de vários anos de recessão económica... olhamos de forma distinta para o nosso país. Agora estamos a olhar para nós como os estrangeiros nos olham... Bastou um ano para que a percentagem de pessoas que se identificam com a expressão «Sinto que hoje em dia dou mais valor a determinadas coisas no meu país a que dantes não ligava muito» aumentasse consideravelmente.” Ver artigo completo em: expresso.sapo.pt