LAZER: EXERCÍCIO DE LIBERDADE

No passado dia 28 de Janeiro, o C-Lab reuniu a comunidade no icónico espaço “Embaixada”, no Príncipe Real, para partilha e discussão dos resultados da sua última investigação sobre LAZER. Num formato descontraído e bem adequado ao tema, trocámos opiniões com alguns especialistas convidados, como o Luis Montez, da Música no Coração, o Miguel Silva, da Red Bull, e a Catarina Barradas, da Fox.

O palco do lazer dá aso a um importante tema de observação para as marcas: nele, e na forma como afecta o tempo disponível, o consumidor revela os seus verdadeiros desejos. Esta investigação permitiu-nos, por isso, ir mais longe na formulação de significado(s). Olhamos para uma sociedade adulta, sitiada entre rotinas e obrigações (profissionais, familiares, sociais), mas que vive, paradoxalmente, o primado da liberdade de expressão e de consumo de conteúdos em rede, da liberdade para as aprendizagens e para o experimentalismo, da liberdade de movimentos e de escolhas no consumo. É nesse exercício de liberdade que os indivíduos estão a encontrar novos modos de estar, novas formas de afirmação, novos espaços de compensação, de fuga e catarse.

É a esse exercício de liberdade que as marcas estão também convidadas, numa dialética que as desafia a sair da sua zona de conforto e a funcionar (também) no mundo do não óbvio, criando experiências para os seus clientes – experiências “do” lazer (que o concretizam), “no” lazer (que o acompanham) ou “com” lazer (que o incorporam). Nem todas as marcas conseguirão esta tripla associação ao lazer; a cada uma caberá perceber como pode largar as suas pré-definições e ser coadjuvante em tais experiências.

"A OPTIMIZAÇÃO DO EU” NA ERA DO BRICOLAGE LIVING

No passado dia 12 de Outubro, o C-Lab reuniu a comunidade C para apresentação da investigação anual de Tendências de Mudança do Consumidor. Num mundo cada vez mais global, subimos a um posto de observação cimeiro para procurar pistas que ajudem a antecipar o sentido de mudança da sociedade contemporânea, por definição líquida e acelerada. O consumidor é apenas uma parte da história. Procuramos dinâmicas e fenómenos que expressam a mudança, que explicam a mudança e que são o móbil da mudança! Na investigação deste ano, documentamos um consumidor em processo de construção identitária – um EU que se vai fazendo, arranjando, aprimorando, de forma cada vez mais livre e dinâmica. Se o “EU OPTIMIZADO” não é novidade e nos segue desde a investigação anterior (2015), este ano mergulhamos na compreensão do processo de bricolage identitária em curso. “Como nos estamos a tornar em tal pessoa”, é a pergunta. Esta construção identitária não é nova, mas diferente na medida em que resulta de duas grandes forças tectónicas: o excesso (profusão & panóplia de escolhas) e a aceleração (fenómeno contemporâneo). Retratamos a reacção a estas forças e a procura de equilíbrio na vida quotidiana e na relação com o consumo. Reconhecemos no consumidor valores mais hedonistas, emocionais e estéticos, que reforçam a singularidade de cada um, ao mesmo tempo que se constrói um novo valor colectivo em torno do “Ser Português”, potencialmente produtor de transformações naquilo que define a essência compartilhada por toda a sociedade. Perante um consumidor que se confronta com o que é e quer ser, cabe às marcas questionar o mesmo sobre si próprias, reflectindo sobre a sua identidade e vocação, fazendo (em consonância) as suas escolhas. Deixamos algumas pistas de reflexão, as tendências que aprofundamos: • O Valor de “Ser Português” • Novas Rotinas de Auto-Estima • A Procura de Anti-Stressantes • Consumo Estetizado: o mesmo, mais bonito • Cultura Interna® • Simplicidade & Co. • Algoritma-me: expectativa da marca inteligente