2015

CRIANÇAS E ADOLESCENTES: COMO SE APRENDE O MUNDO DO CONSUMO

É nas primeiras etapas da vida que está a génese das representações fundamentais, incluindo as das marcas e do consumo. A capacidade cognitiva humana não vem pronta – nasce e desenvolve-se enquanto criança e jovem. Daí a importância, num quadro de enormes mudanças, de acompanhar em directo a formação do novo pensamento infantil e raciocínio lógico.

A par desta realidade em mudança há uma outra, não menos importante, que actualmente marca as famílias e as crianças / jovens portugueses de forma profunda: o desequilíbrio demográfico. 82,8 mil foi o número de bébés nascidos em 2013 em Portugal. O número mais baixo de sempre, metade do valor registado há 40 anos atrás. A redução do número de filhos, o facto das mulheres serem mães pela primeira vez cada vez mais tarde (29,5 anos) e o número crescente de divórcios, constituem forças de mudança muito fortes nas relações entre pais e filhos e entre avós e netos.

Os filhos são cada vez mais “únicos” e isso coloca-os no centro, dá-lhes poder. A investigação realizada pelo C Lab em 2013 “As Famílias Portuguesas”, comprovou que esta influência, ainda que cresça com a idade, começa desde cedo. 36,8% dos pais entre os 25 e os 35 anos já reconhecia ter em conta a opinião dos filhos na compra de roupa, 33,3% na compra de iogurtes, 21,1% nos sumos e refrigerantes, 19% nas refeições de casa ou nas compras em geral.

Ser criança, além de ser cada vez mais um estatuto em países como o nosso, que tem assistido a uma abrupta queda da natalidade, é substancialmente diferente do que era há alguns anos atrás.
Compreender os novos focos de atenção de crianças e jovens e a forma como são poder nos lares em Portugal é a proposta desta investigação. Eles são um importante depósito de expectativas e de investimento que importa compreender.

LAZER: UM PRIMORDIAL EXERCÍCIO DE LIBERDADE

Enquanto espaços ímpares de aprendizagem, de afirmação / realização do indivíduo, para onde canaliza muita energia, tempo e dinheiro, são arenas onde as marcas se têm que (re)posicionar de forma relevante e inovadora.

O Projecto C tem acompanhado o consumidor naquilo que tem sido uma tendência gradual de diversificação de fazeres, de arenas de sociabilização e de entretenimento. A incorporação destes novos domínios do Ser tem imposto uma organização mais premeditada do tempo livre e uma crescente prioritização de objectivos. São diversos os drivers que ditaram e continuarão a ditar no futuro profundas mudanças: a tecnologia, os conteúdos, a partilha, a convergência de funções, a emergência de marcas. Multiplicam-se os estímulos positivos. Redefinem-se necessidades. Em síntese, surgem novos mercados na plena acepção da palavra.

Assumir conhecer com mais proximidade e profundidade estes novos factores de desenvolvimento pessoal, a “vida de prazeres” que consumidores e famílias escolhem em casa ou no espaço público, individualmente ou em rede, revela-se fundamental para a generalidade das indústrias. Definem temas e territórios que possibilitam a criação de novas conversas e dinâmicas de relação. Potenciam novos espaços de comunicação. Constituem novos motivos de consumo. São elementos profundamente constitutivos de equalizações sociais.

Esta investigação pretende ajudar as empresas a explorar os mercados de consumo que assim se prefiguram, desenhando novas ofertas, explorando novos canais, convergindo com categorias complementares. Pretende também assegurar uma nova compreensão do potencial de grandes eventos e grandes formatos de entretenimento – desporto, festivais, cultura urbana – como territórios de criação de marca. Finalmente, a investigação gera pistas que permitem às marcas maximizar as dimensões lúdicas, de gamificação, de sociabilização presentes nas suas experiências de consumidor.

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