2013

(RE)CONHECER A FAMÍLIA, UMA NOVA ENTIDADE ECONÓMICA

Neste tema, inspirados por um amplo conjunto de tendências já discutidas no C-Lab, pretendemos compreender a família alargada, como uma entidade económica. Quais os novos protagonistas nestas famílias – influenciadores e shoppers? Como circulam lógicas de WoM? Que fluxos existem? Que bens são adquiridos e depois fruídos de forma alargada entre vários membros da família?
As novas dinâmicas de consumo e de entreajuda familiar reforçam seguramente espaços de influência entre gerações e suscitam necessidades que decorrem de uma vida mais próxima e mais ligada à valorização dos momentos simples e quotidianos. Dimensionar essas lógicas reforçadas de entreajuda – os avós em substituição das empregadas, os avós que ajudam a pagar a educação dos netos, a mobilidade que agora se organiza em família, o apoio dos empty nesters aos filhos adultos – pareceu-nos chave.
Num momento em que a racionalidade económica impera, em que conquistar fidelidade é crucial, acreditamos que, a confirmar-se esta lógica de “entidade económica”, ela define para muitas empresas um novo espaço de criação diferenciada de propostas de valor.

 

O DINHEIRO: NOVAS CONCEPÇÕES DITADAS POR UMA RELAÇÃO MAIS SÉRIA COM ESSE DINHEIRO?

O momento é de empobrecimento real do país e das famílias portuguesas. O consumidor tem respondido a esta quebra de poder de compra com um planeamento muito mais fino e sistematizado dos seus gastos. Este processo, muitas vezes acompanhado por folhas de excel, ganha uma centralidade grande na sua vida.

Esta atenção dedicada aos euros é estendida a muitos outros momentos do quotidiano porque (quase) tudo o que fazemos tem um preço. É hoje uma atenção extremada, valorizada. É hoje uma atenção que leva os consumidores a pensar aprofundadamente sobre valor, sobre trade-offs, sobre meios de pagamento.

Nesta investigação fomos compreender em que medida a relação com o dinheiro nas suas diferentes formas está a evoluir e conhecer melhor diferentes perfis de condução desse processo, tentando ajudar as marcas a compreender em que momento e de que forma são equacionadas e que triggers poderão garantir que entrem no carrinho de compras.

 

UM NOVO SHARE-OF-CHANNELS = UM NOVO SHARE-OF-SPACE?

Por força da conjugação de factores de diversas naturezas, o número e tipo de pontos de venda que o consumidor visita está em mudança. A frequência e a utilidade percebida em diferentes tipos de canal também está a ser revista.

Se por um lado vivemos hoje o primado do valor, que leva o consumidor a visitar vários pontos de venda para compor um cabaz inteiro de promoções, por outro, é evidente a menor mobilidade dos consumidores, o seu propósito de reduzir gastos em combustíveis e transportes. Se por um lado, se observa um recuperar dos valores da proximidade, por outro, a Web como canal permite ao consumidor alargar profundamente o seu espectro de canais disponíveis e talvez seja o oposto dessa proximidade mais humana que procuram.

Nesta investigação, pretendemos dimensionar e caracterizar estas mudanças e compreender tendências em termos da relação com diferentes conceitos de retalho, alterações na mobilidade e seu impacto no consumo e relevância do e-commerce em diferentes categorias.

Finalmente, não esquecemos de abordar atentamente a evolução de comportamentos em Horeca, a forma como os consumidores percepcionam novos formatos, a disparidade de preços por comparação com o retalho, a noção de value for money para um consumidor que já experimentou a marmita ou a compra de um snack no supermercado ao lado do escritório. Esse é (também) o mesmo consumidor que quer continuar a “ir ao café” e que encara o “jantar fora” como um verdadeiro escape.

 

 

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