Temáticas

O C-Lab foi lançado em Portugal em 2009. Desde essa data que temos vindo a desenvolver inúmeras investigações, beneficiando neste momento de séries longas num conjunto de indicadores relevantes e de um conhecimento profundo sobre o processo de ajustamento e de mudança complexo que a sociedade de consumo está a ultrapassar em Portugal.

INVESTIGAÇÕES 2016

Além do Barómetro, da Função Consumo e da investigação “Tendências de Mudança do Consumidor”, investigações realizadas anualmente, o ano de 2016 será dedicado a dois temas de investigação aprofundada de diferentes naturezas.

A CASA: QUAL A SUA CENTRALIDADE E QUAIS OS CONSUMOS QUE DEFINE?

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A casa não é apenas uma casa. A casa é um objecto carregado de significados e simbolismos. Na forma, a casa traduz um estilo de vida, uma realidade socio-económica, um status, um estado de alma (do frugal ao mais luxuoso / extravagante). No conteúdo, é o espaço por excelência da família – um lugar de conforto e intimidade, que fixa um esquema de organização familiar. Nalguns estágios de vida, pode ainda ser um símbolo de autonomia ou um ensaio para uma conjugalidade em formação. A casa é, por isso, um espelho de quem nela habita – é uma representação do seu mundo, dos seus valores e até do que espera para o seu futuro.

Se é certo que a casa foi a principal conquista material das famílias portuguesas nas últimas décadas, também é certo que as mudanças- sociais, demográficas, económicas - observadas nos últimos anos estão a alterar os projectos que a envolvem. Empregos e rendimentos menos estáveis, relações mais informais ou menos duradouras, maior número de pessoas a viver sozinhas, maior mobilidade profissional, seriam, só por si, motivos bastantes para questionar “um projecto para a vida”. Se a estes juntarmos a dificuldade de acesso ao crédito e a noção de risco associado à compra (por recurso a financiamento) de casa, que a crise despoletou, conseguimos vislumbrar uma mudança no próprio significado que é dado ao investimento numa casa, sobretudo junto das gerações mais novas. Para esses, a casa representará cada vez menos um activo e cada vez mais um espaço de acção.

Se a casa reflecte quem nela vive, é de esperar que reflita os novos comportamentos, valores e aspirações dos consumidores. É também de esperar que se reforcem aspectos, como a integração de tecnologia e equipamentos na esfera doméstica, que dão nova morfologia às vivências na casa.

Para as marcas, há seguramente novos temas e territórios de exploração: a casa “onde todos ajudam” tem que ser mais funcional; a casa onde se trabalha e aprende tem que ser mais tecnológica; a casa do prazer tem que ter mais conteúdo e conforto; a casa de quem gere melhor o orçamento familiar tem que ser mais eficiente (também em termos energéticos e ambientais); a casa de quem está exposto a novas influências (sobretudo visuais), tem que ter mais e melhor design, ser melhor cenário.

Com esta investigação pretendemos compreender as dinâmicas de vivência de uma casa e os consumos que definem, procurando tipificar e distinguir “modelos de relação com a casa”. Pretende-se também explorar dimensões de realização e prazer que se dão no palco da casa que possam constituir novos motivos de consumo, novos share-of-wallet e novos share-of-time.
Finalmente, ambicionamos perceber em que medida os novos valores e referências no consumo condicionam os investimentos que se fazem numa casa, novamente procurando segmentar a análise por perfil de consumidor.

Metodologia
Estudo Qualitativo:
- 16 Visitas etnográficas distribuídas por 4 regiões, que permitam retratar diferentes dinâmicas de vivência (ID da casa + ID da família, Visita guiada à casa, Registo fotográfico / vídeo dos espaços da casa, nomeadamente os que são definidores dos consumos do e para o lar)
- Interpelação a especialistas que contribuam com o seu know-how e olhar crítico de análise: arquitectos, imobiliárias / construtoras, empresas / marcas de design e equipamentos para o lar
Estudo Quantitativo:
- 800 indivíduos em inquérito online

MARCAS CIDADÃS: ANTECIPANDO AS EXPECTATIVAS DO CONSUMIDOR

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O mundo enfrenta hoje desafios de natureza económica, social, ambiental e cultural dos quais depende o nosso futuro. À medida que se sensibiliza a sociedade para o tema da Sustentabilidade - dos problemas ao que está na sua génese -, vai-se alastrando por todo o mundo uma nova atitude em relação ao consumo. Os consumidores portugueses não são excepção: 70% considera ter a responsabilidade de comprar produtos e serviços bons (ou não prejudiciais) para o ambiente e 45% declara estar disposto a pagar mais por produtos e serviços prestados por empresas comprometidas em ter um impacto social e ambiental positivo.

Independentemente da expectável dissonância entre valores e comportamentos, sente-se uma mudança da atitude dos portugueses em relação ao consumo que vai exigir das empresas maior rapidez e pró-actividade na resposta a temas de Sustentabilidade. A investigação do C-LAB vem fornecer insights para que as empresas possam alinhar estratégias com consumidores com valores éticos emergentes, lançando pistas para o desenvolvimento de produtos, serviços e modos de relação diferenciadores.

Mais do que retratar a sociedade portuguesa, o estudo dá indícios do que pode vir a ser no futuro próximo, por força de um conjunto de circunstâncias e tendências que a fazem caminhar para um comportamento pró-cidadania (mais activo) ou pró-sustentabilidade (mais consciente). Assim, a investigação centra-se em comportamentos que, tendo ou não por móbil a preocupação com o bem comum, são adjacentes a mudanças que poderão contribuir para estilos de vida (e de consumo) mais sustentáveis. Desses comportamentos destacam-se os que traduzem mudanças na alimentação, nos cuidados pessoais e da casa, na gestão do excesso e do desperdício, no consumo de energia, na mobilidade e mesmo no desenvolvimento do território.

À leitura dos comportamentos, soma-se a apreciação dos portugueses sobre a acção das empresas e marcas neste domínio e da responsabilidade que lhes atribuem na mobilização para um mundo mais sustentável. Do todo, vislumbra-se como estão os portugueses a redefinir o conceito de “valor”, quais os temas de desenvolvimento sustentável a que são mais sensíveis e os argumentos que tendencialmente vão convocar para o processo de compra: quem e o que elegem e recompensam e quem e o que penalizam e excluem?

Metodologia
Estudo Qualitativo:
- 4 Workshops de trabalho e co-criação com indivíduos de diferentes perfis etários (8 indivíduos cada)
- Interpelação a especialistas que contribuam com o seu know-how e olhar crítico de análise
- Workshops de partilha de experiências e aprendizagens entre clientes da comunidade
Estudo Quantitativo:
- 800 Indivíduos (2x400) com mais de 18 anos pertencentes ao Painel Global Ipsos-Apeme (web)

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